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Vol. 33. Núm. 3.
Páginas 191-193 (Março 2014)
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Vol. 33. Núm. 3.
Páginas 191-193 (Março 2014)
Imagem em cardiologia
DOI: 10.1016/j.repc.2013.08.002
Open Access
Insuficiência cardíaca direita – qual a etiologia?
Right heart failure: What etiology?
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Ana Filipa Damásioa,??
Autor para correspondência
anafilipadamasio@gmail.com

Autor para correspondência.
, João Vasconcelosa, Vanda Pós de Minaa, Sérgio Duarteb, José Roquettec
a Serviço de Cardiologia, Hospital do Espírito Santo, EPE, Évora, Portugal
b Serviço de Imagiologia da Clínica de Diagnóstico pela Imagem de Évora, Évora, Portugal
c Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital da Luz, Lisboa, Portugal
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Homem, 65 anos, com antecedentes de trombocitopénia em estudo, hipertensão arterial e diabetes é internado por quadro de insuficiência cardíaca descompensada, de predomínio direito. Realizou ecocardiograma transtorácico (Figura 1) que mostrou função biventricular conservada e massa heterogénea com 2,5cm de diâmetro, pouco móvel no ventrículo direito (VD). Caracterização difícil por má janela ecocardiográfica e baixa tolerância ao exame. Realizou ecocardiograma transesofágico (Figura 2) que foi interrompido por dispneia, observando‐se que a massa estava aderente à parede lateral da aurícula direita (AD), estendendo‐se à válvula tricúspide (VT) (condicionando obstrução), VD e pericárdio. Colocou‐se a hipótese de trombo versus tumor cardíaco, sendo o aspeto heterogéneo e infiltrativo sugestivos de lesão neoformativa. Realizou por isso TC toraco‐abdomino‐pélvica para despiste de tumor oculto que não mostrou alterações para além de derrame pleural bilateral e massa cardíaca volumosa ocupando as cavidades direitas, com apagamento da parede externa da AD. O doente realizou ressonância magnética cardíaca (Figura 3) que mostrou lesão neoformativa aderente à parede lateral da AD com protusão para o VD sugestiva de tumor intracardíaco.

Figura 1.

Imagens de ecocardiograma transtorácico realizado 24 horas após o internamento do doente onde se observa massa (seta) heterogénea pouco móvel no ventrículo direito e derrame pericárdico ligeiro. A: massa vista em incidência paraesternal longo eixo. B: massa no ventrículo direito vista na incidência apical quatro câmaras. C: medição da massa em paraesternal longo eixo. (AD: aurícula direita; VD: ventrículo direito).

(0,18MB).
Figura 2.

Imagens de ecocardiograma transesofágico realizado ao doente para estudo de massa (seta) intracardíaca. A: massa heterogénea, com zonas hipo e hiperecogénicas, pouco móvel aderente, à face lateral da aurícula direita com extensão à válvula tricúspide, ventrículo direito e pericárdio. B: obstrução causada pela massa ao fluxo nas cavidades direitas (AD: aurícula direita; VD: ventrículo direito).

(0,13MB).
Figura 3.

Imagens de ressonância magnética cardíaca que mostram massa intracavitária (seta) aderente à face lateral da aurícula direita com cerca de 56x87x47mm, com protusão sobre o apêndice auricular superiormente, através da válvula tricúspide para o ventrículo direito e procidência inferior sobre a parede auricular. Hipersinal relativamente homogéneo em T2 (A) e isosinal relativamente ao miocárdio em T1 (C e D), documentando‐se realce de predomínio central e ao longo do estudo de perfusão (B) com áreas periféricas de hipoperfusão. Derrame pericárdico ligeiro.

(0,25MB).

Foi submetido a resseção cirúrgica da massa (Figura 4A) e colocação de prótese mecânica tricúspide, falecendo 16 horas após a cirurgia na sequência de choque refratário. O resultado histológico da peça operatória (Figura 4B) foi de osteosarcoma, um tumor cardíaco raro quer primário quer secundário. Admitiu‐se ser primário por não haver evidência de tumor noutra localização (geralmente nos ossos longos) apesar de este ser mais frequente nas cavidades esquerdas, contrariamente aos secundários (mais frequentes à direita).

Figura 4.

Aspecto macroscópico (A) e microscópico (B) do tumor. A: massa tumoral (T), rígida, ocupando quase toda a aurícula direita (AD); B: histologia da peça operatória onde se observa proliferação mesenquimatosa, epitelioide (E) e osteoide (O), com focos de mineralização (M) sugerindo tratar‐se de osteosarcoma; coloração com hematoxilina‐eosina. VD: ventrículo direito.

(0,19MB).
Conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Responsabilidades éticasProteção de pessoas e animais

Os autores declaram que os procedimentos seguidos estavam de acordo com os regulamentos estabelecidos pelos responsáveis da Comissão de Investigação Clínica e Ética e de acordo com os da Associação Médica Mundial e da Declaração de Helsinki.

Confidencialidade dos dados

Os autores declaram ter seguido os protocolos de seu centro de trabalho acerca da publicação dos dados de pacientes e que todos os pacientes incluídos no estudo receberam informações suficientes e deram o seu consentimento informado por escrito para participar nesse estudo.

Direito à privacidade e consentimento escrito

Os autores declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes e/ ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspondência está na posse deste documento.

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